Jump cutO tempo salta, o quadro fica
O jump cut remove um pedaço de tempo dentro de um plano, fazendo o personagem parecer saltar de uma posição para outra enquanto o enquadramento quase não muda. O público percebe o corte, e esse salto visível cria inquietação, impaciência ou humor.
Também chamada deCorte descontínuoCorte com salto no tempo
Montagem e transições
Por que funciona na tela
O jump cut comprime o tempo e o faz parecer irregular. Serve à espera, ao tédio, à obsessão e à ansiedade: alguém andando de um lado para outro num corredor, provando roupas, ensaiando um discurso, se arrumando para um encontro. Também pode expressar uma mente desordenada ou quebrar o acabamento de um filme para deixá-lo cru e imediato. Uma cena merece esse recurso quando a história quer que o público sinta o tempo passando aos trancos, ou perceba que o ritmo interno de um personagem está fora de compasso. Na comédia, cria um ritmo de repetição. No drama, pode soar como uma pulsação acelerada.
A linha na decupagem
- Enquadramento
- Plano médio ou primeiro plano, repetido
- Ângulo
- Mesmo ângulo em todas as tomadas
- Movimento
- Câmera travada em tripé
- Lente
- Lente fixa 50mm
- Duração
- 1 a 3 s por fragmento
Mantenha a câmera e o enquadramento idênticos, e deixe o ator mudar de posição ou de objetos entre as tomadas para que cada salto se leia com clareza.
Roteiro
No roteiro
O jump cut é uma decisão de montagem, então um roteiro de portfólio raramente o nomeia. Você pode sugeri-lo escrevendo uma sequência de ações curtas e parecidas que saltam claramente no tempo: ela senta, ela levanta, ela senta de novo, o relógio cada vez mais adiantado. Para uma sequência forte, o cabeçalho SÉRIE DE PLANOS ou uma indicação como MAIS TARDE ajuda. Use com moderação. O diretor e o montador decidem quantos saltos e onde eles caem, registrados na decupagem e nas notas de montagem.
INT. SALA DE ESPERA DO CARTÓRIO - SÃO PAULO - MANHÃ
LUCIANA FERREIRA (28, vestido branco, tênis) senta numa cadeira de plástico, o buquê no colo. O relógio marca 10h02.
Ela se levanta, olha para a porta.
Ela senta, checa o celular. 10h19.
Agora está sentada no chão, o véu no colo. 10h47.
A porta se abre. Uma ATENDENTE se debruça para fora.
ATENDENTE
Ferreira? O noivo está no telefone.
Storyboard
No storyboard
Desenhe três ou quatro quadros pequenos com as mesmas linhas de enquadramento, cada um mostrando o personagem numa posição ou estado diferente. Marque um relógio, uma mudança de luz ou um objeto para indicar a passagem do tempo. Escreva SALTO entre os quadros e o tempo aproximado pulado. Anote que a câmera não se move, e acrescente o motivo dramático dos saltos (espera, obsessão, ensaio) para que o montador mantenha o ritmo certo.
Combina bem com

Um plano estático longo antes dos jump cuts estabelece o fluxo normal do tempo. Quando os saltos começam, o público percebe a mudança de ritmo e sente a inquietação do personagem.

Depois de uma sequência de saltos, um primeiro plano estável interrompe a saltada e traz o público de volta ao tempo real. Isso faz o próximo momento emocional ganhar peso.
Referência
Veja em
Acossado (1960)
Durante um trajeto de carro por Paris, Godard corta entre enquadramentos quase idênticos de Michel e Patricia, suprimindo pedaços de fala e gesto para que os cortes apareçam.
Os Excêntricos Tenenbaums (2001)
Na cena do banheiro, cortes abruptos num quadro de espelho quase fixo mostram Richie se barbeando e cortando o cabelo, o tempo estilhaçado em fragmentos secos.
ScreenWeaver
Monte isso no ScreenWeaver
Escreva a espera ou a repetição como uma sequência de linhas de ação curtas no seu roteiro, e o ScreenWeaver quebra a cena em planos automaticamente. No storyboard, dê a cada fragmento o mesmo enquadramento, o mesmo ângulo e um movimento estático, depois mude a posição do personagem ou os objetos e defina durações curtas. Personagens e locações se mantêm de plano a plano, então a sala permanece idêntica enquanto a pessoa muda. Confira o ritmo dos saltos na pré-visualização com IA.
Comece a escrever de graçaO prompt por trás deste clipe
Este é o prompt exato que gerou o clipe no topo da página. Mantenha a descrição da câmera e da luz, mude o sujeito e o lugar.
Jump cut: a woman in business attire sits at a desk in a modern glass office tower, afternoon light pouring through floor to ceiling windows behind her. Shot one, medium shot, locked off camera, 35mm lens: she leans forward typing on a laptop, papers stacked loosely to her left. Hard straight cut, no dissolve, to shot two: identical framing, lens and lighting, same desk and window backdrop, but she now leans back holding a coffee cup and the papers are restacked, several seconds of action removed between the two shots. No text.
Erros comuns
- 01
Jump cuts acidentais
Cortar entre dois ângulos ligeiramente diferentes do mesmo assunto por acidente parece um erro de continuidade. Se você quer um salto, torne-o deliberado, com o quadro travado e a mudança evidente.
- 02
Saltos demais
Uma sequência longa de saltos cansa rápido e esconde a história. Use-os em rajadas curtas, depois volte à montagem normal para que cada sequência se destaque.
- 03
Saltos sem motivo
Jump cuts que só parecem estilosos enfraquecem a cena. Ligue-os à impaciência, à compressão do tempo ou a um estado mental, para que o público entenda a escolha.





