Escolha primeiro a camada e depois uma única palavra-chave para ela: CARTELA para texto em tela cheia, LETTERING (SUPER em inglês) para texto sobre a imagem e GC (LOWER THIRD) para nome ou função, sempre seguida do texto exato entre aspas, por exemplo LETTERING: "LONDRES - DIAS ATUAIS". Coloque a linha onde o público vê o texto, indique duração só quando a história precisar e escreva as telas do mundo do filme, como um celular, como ação comum. A referência completa está no nosso guia completo de formatação.
"PARIS, 1940." Um nome aparece sob o rosto de uma senadora. Uma tarja corre na tela: MERCADOS EM QUEDA LIVRE. Três camadas de texto diferentes, três funções diferentes, e os iniciantes formatam todas do mesmo jeito, ou nem formatam.
Cartelas, letterings e GCs são a tipografia do cinema. Eles orientam, identificam e pressionam a história com informações que os personagens talvez não digam em voz alta. O roteirista não desenha fontes. Ele define o conteúdo e o momento para que leitores, montadores e a equipe de grafismo fiquem alinhados.
Este guia diferencia cada tipo de texto, mostra convenções consistentes e passa pelas regras práticas para o seu roteiro ficar limpo e pronto para produção.
O vocabulário em português e em inglês
Os nomes mudam conforme o país e a função. Estas são as equivalências úteis; escolha um conjunto e mantenha no roteiro inteiro.
| Camada | Roteiro americano | Uso comum em português |
|---|---|---|
| Texto em tela cheia | TITLE CARD | CARTELA |
| Texto sobre a imagem | SUPER ou CHYRON | LETTERING, LEGENDA DE LOCAL ou TARJA (no jornalismo) |
| Nome e função na parte de baixo | LOWER THIRD | GC (gerador de caracteres) ou CRÉDITO |
"GC" vem do gerador de caracteres das ilhas de edição e das redações de TV, e é o termo que as equipes de jornalismo e documentário no Brasil usam até hoje. Em Portugal, fala-se mais em "oráculo" para o rodapé de identificação. Se o roteiro vai para uma produtora de língua inglesa, use os termos em inglês. Os esquemas deste artigo estão em inglês.
Como funciona: três camadas, três funções
Cartela: texto em tela cheia ou dominante, muitas vezes separado da ação. Saltos de lugar ou tempo, títulos de capítulo, TRÊS ANOS DEPOIS, quebras estilizadas como PARTE UM: A CAÇADA.
Lettering: texto sobre a ação ou sobre imagens de cobertura. Tarjas de plantão, indicação de local, marcação de horário. Costuma ficar no alto ou embaixo do quadro.
GC: identificação de nome e função, normalmente embaixo à esquerda. RAFAEL COSTA - ADVOGADO DE DEFESA. Comum em documentários, cenas de telejornal e dramas políticos.
Os três ficam na parte de ação do roteiro, nunca como diálogo. Escolha uma convenção e repita.

Onde cada camada costuma ficar na tela, com a linha de roteiro correspondente. Esquema em inglês.
Diga o que o público lê. Deixe a produção escolher como fica.
Para os fundamentos de texto na tela, veja letterings de local e tempo. Para o uso em redação, veja como formatar cenas de telejornal. Para o texto que rola na abertura (parente da cartela), veja o formato do texto de abertura.
Por formato e uso
Longa-metragem: cartelas de capítulo e de local
Exemplo de cartela:
CARTELA: "SÃO PAULO - 1927" FADE IN:
Quando usar: filmes de época, estruturas em capítulos, saltos de tempo grandes demais para o diálogo.
Evite: uma cartela em cada cena. O cansaço chega rápido.
Série dramática: estrutura de episódio
GC na primeira aparição:
LETTERING: "DELEGADA ANA MERCÊS" Ela entra na delegacia. Ninguém levanta os olhos.
Quando usar: elencos grandes, tom documental, apresentações do primeiro episódio.
Jornalismo e docuficção
Tarja e GC combinados:
NA TV - CANAL DE NOTÍCIAS TARJA: "PLANTÃO - VOTAÇÃO É DERRUBADA" GC: "SENADORA HALE - COMISSÃO DE FINANÇAS"
Quando usar: sequências de mídia dentro da história, thrillers políticos.
Streaming e minisséries
Cartelas estilizadas entre episódios ou atos. Mesmo formato do longa. Anote (SEGURAR 3 SEGUNDOS) só se o tempo for essencial para uma piada ou para o ritmo.
Idiomas estrangeiros e legendas
Quando um GC identifica quem fala e as legendas traduzem a fala, indique a tradução na formatação do diálogo conforme as regras de idiomas estrangeiros e legendas. Não empilhe letterings redundantes.
Pense também na distribuição internacional: em cada versão estrangeira, suas cartelas e GCs serão traduzidos por legendas forçadas ou refeitos pelo grafismo. Texto curto e exato se localiza melhor do que uma frase longa.
Passo a passo: acrescentar camadas de texto corretamente
Passo 1: decida a camada. Título em tela cheia? Texto sobre a imagem? Só identificar um nome? A camada errada confunde a produção.
Passo 2: escolha sua palavra-chave. Opções comuns: CARTELA:, LETTERING:, TARJA:, GC: (ou os equivalentes em inglês). Uma palavra-chave principal por roteiro.
Passo 3: escreva o texto exato entre aspas. LETTERING: "LONDRES - DIAS ATUAIS", não Aparece uma indicação de local.
Passo 4: coloque a linha onde o público vê. Normalmente logo antes do plano em questão ou no corte para ele.
Passo 5: indique duração só quando a história exigir. (CARTELA - 2 SEGUNDOS) para comédia em sequência rápida ou para sincronizar com uma batida de música.
Passo 6: separe o texto do mundo do filme dos letterings formais. O texto da tela de um celular fica na ação: O celular dela mostra: 2h34. Um salto de tempo formal usa LETTERING: ou CARTELA:.
Passo 7: procure redundâncias. Se o diálogo já diz "Estamos em Londres", talvez o lettering seja dispensável, a não ser que o estilo peça.

Os passos 1 e 6 como caminho de decisão. Esquema em inglês.
Parte prática: referência de formato e requisitos
Tabela de referência rápida
| Tipo | Função | Exemplo de formato |
|---|---|---|
| Cartela | Capítulo, local, tempo | CARTELA: "ATO II" |
| Lettering ou tarja | Orientar, plantão | TARJA: "FIQUEM EM CASA" |
| GC | Nome, função, identificação | GC: "MARA LIN - DENUNCIANTE" |
| Tela do mundo do filme | Celular, computador, objeto | Linha de ação, sem lettering |
Maiúsculas e pontuação
Os costumes variam. Consistência vale mais que debate sobre o certo. Escolha:
- Tudo em maiúsculas:
LETTERING: "NOVA YORK - 1999" - Ou com inicial maiúscula entre aspas:
LETTERING: "Nova York - 1999"
Nunca os dois no mesmo roteiro. Mantenha também a mesma grafia para horas e datas ("6h" ou "6:00", mas não ambos).
Sinais de exagero
- Mais de três letterings em cinco páginas sem saltos de tempo
- Um GC para cada personagem que fala num jantar
- Tarjas que repetem o diálogo que acabamos de ouvir
Entrega para a produção
A equipe de grafismo extrai os letterings da decupagem. Texto exato evita e-mails de esclarecimento caros na pós.
Acessibilidade
Os letterings levam informação que o público que enxerga recebe pela visão. Garanta que fatos essenciais não fiquem inacessíveis ao público cego, a não ser que outro canal os repita (diálogo ou uma nota para a audiodescrição, exigida por lei em parte da programação brasileira).
Caso prático: um piloto em várias cidades
Seu piloto pula de Recife para Varsóvia e Dubai em vinte páginas. As cartelas carregam o peso para que as cenas não comecem com personagens anunciando a geografia.
CARTELA: "RECIFE - 6H" INT. METRÔ - EM MOVIMENTO - DIA ... CARTELA: "VARSÓVIA - 14H" INT. APARTAMENTO - DIA ... CARTELA: "DUBAI - 21H" EXT. MARINA - NOITE
A formatação idêntica educa quem lê. A produção cria um único modelo de cartela e reaproveita.

Três linhas idênticas na página, três cartelas idênticas na tela. Esquema em inglês, com Chicago no lugar de Recife.
Caso prático: uma apresentação em tom documental
A primeira vez que conhecemos uma senadora numa docuficção:
INT. SALA DA COMISSÃO - DIA GC: "SENADORA DIANA HALE - PRESIDENTE DA CPI" Hale ajeita o microfone. Já está no meio da frase na transmissão.
O GC faz o trabalho de identificação que o diálogo não deveria desperdiçar. Quando ela volta três episódios depois sem GC, o público lembra.
Revisão antes da entrega
Procure no PDF exportado LETTERING, TARJA, CARTELA e GC. Se duas cenas vizinhas usam lettering para o mesmo local sem salto de tempo, corte um. Se um personagem diz em voz alta o texto do lettering na linha seguinte, apague a fala ou o lettering.

A revisão e os sinais de exagero numa só ficha. Esquema em inglês.
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Start FreeResultados: o que uma formatação limpa entrega
Orientação para quem lê. Ninguém precisa adivinhar se o texto é em tela cheia ou sobreposto.
Eficiência na pós. O grafismo sabe o que construir.
Controle do tom. Peso documental, cartelas de capítulo cômicas ou urgência de plantão: cada um se lê diferente quando formatado de forma distinta.
O que dá errado:
- Um vago "aparece um texto"
- Palavras-chave inconsistentes (LETTERING, TARJA e CARTELA ao acaso)
- Letterings que duplicam o diálogo
- Cartelas para informação que ficaria melhor mostrada na cena
O teste: entregue o roteiro a alguém que não conhece a história. Depois de uma sequência com salto de tempo, essa pessoa consegue dizer o novo lugar e o novo horário sem reler o diálogo? Se sim, suas camadas de texto funcionaram.
Por que importa: o jeito antigo e o novo
O jeito antigo: roteiristas achavam que a montagem "colocaria os títulos na pós" e deixavam a página vazia. Quem lia tropeçava. O grafismo recebia orientações contraditórias.
O jeito novo: o roteiro especifica o texto na tela com a mesma disciplina da formatação de cenas de telejornal. Salas de roteiro de séries políticas ou de tom documental mantêm uma lista de letterings por episódio.
Tipografia na tela é autoria. Formate com clareza e você passa a ser dono da arquitetura de informação do seu filme, não só das falas.
Mãos à obra: o texto na tela é seu
Revise o roteiro hoje à noite. Marque cada momento de texto na tela. Identifique como cartela, lettering ou GC. Escreva as palavras exatas. Corte as duplicatas.
A produção vai escolher fontes e animação. Você escolhe o que o público sabe e quando sabe.
Escolha sua palavra-chave. Escreva o texto. Coloque onde o corte cai. O quadro é seu. As palavras nele também deveriam ser.
FAQ
Qual a diferença entre cartela e lettering?
A cartela ocupa a tela inteira, muitas vezes sobre fundo preto. O lettering fica sobre a imagem em curso, como uma indicação de local ou uma tarja de notícia.
O que é GC?
É a identificação de uma pessoa por nome e função na parte de baixo da tela. O termo vem do gerador de caracteres da TV; em inglês, chama-se lower third.
Escrevo SUPER ou LETTERING?
Os dois são entendidos. Escolha conforme quem vai receber, brasileiro, português ou estrangeiro, e mantenha a mesma palavra no roteiro inteiro.
Como escrever o que aparece na tela de um celular?
Como linha de ação comum, por exemplo "O celular dela mostra: 2h34". Letterings formais ficam para o texto que só o público vê.
Preciso indicar fonte ou cor?
Não. O roteiro define o texto exato e o momento; fonte, cor e animação são com o grafismo.
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